Lendas de Itapuã

Invenções ou modos ancestrais de explicar o mundo?

A websérie "Lendas de Itapuã" mergulha nas histórias que atravessam gerações e moldam o imaginário de um dos bairros mais emblemáticos de Salvador.

Com três episódios, o projeto resgata narrativas populares como o "Sereio de Itapuã", a "Pedra que Ronca" e a "Lagoa que Engole Gente", revelando a riqueza simbólica, cultural e afetiva de um território onde o visível e o invisível caminham juntos.
SEREIO DE ITAPUÃ

O primeiro episódio da série traz à tona o curioso caso do “Sereio de Itapuã”, que viralizou em 2018 após áudios de salva-vidas circularem em grupos de WhatsApp, relatando a aparição de uma criatura misteriosa nas águas próximas ao Farol. O episódio propõe uma reflexão sobre as fronteiras entre o riso, a incredulidade e o respeito aos mitos que moldam o imaginário coletivo da comunidade.
PEDRA QUE RONCA

O segundo episódio explora a famosa “Pedra que Ronca”, uma das referências mais antigas do bairro. Entre explicações racionais e interpretações místicas, a narrativa revela como a pedra se tornou símbolo de fé e resistência, especialmente entre os pescadores que celebram desde 1898 a Festa de Iemanjá mais antiga da cidade.

A Pedra que Ronca é uma emblemática formação rochosa que emerge nas águas próximas à costa de Itapuã, especialmente na maré baixa. Segundo os antigos pescadores, por volta dos anos 60, a Pedra costumava roncar, e o som podia ser ouvido em bairros distantes da cidade. São diversas as explicações dos moradores para o caso: para alguns o ronco que ecoava da Pedra era apenas invenção popular; para outros o som forte era causado pelo movimento da maré vazante, cujas ondas batiam nos espaços ocos da Pedra; e para outros, era mesmo a voz do invisível que insistia em se manifestar.

Entre mistérios e polêmicas, a Pedra guarda ainda hoje o sagrado: é berço das oferendas da Festa de Iemanjá, quando trabalho e fé se entrelaçam na relação dos pescadores com a mãe do mar. Cada narrativa guarda em si não apenas o mistério do encantado, mas a possibilidade de ampliar o repertório sobre as diferentes formas de ver, ser e estar no mundo.
LAGOA QUE ENGOLE GENTE

Encerrando a série, o terceiro vídeo aborda os enigmas da Lagoa do Abaeté, espaço sagrado e temido, que guarda relatos de afogamentos e aparições encantadas. A história se conecta às Ganhadeiras de Itapuã, grupo de mulheres negras que transformou a dor em arte e mantém viva a memória do bairro com canto, dança e tradição.